quinta-feira, 4 de março de 2010

Como era a internet quando eu comecei a usar internet

Inspirada na matéria da Wired que, ainda bem, você pode ver com todo o design legal AQUI, lembrei de como era minha vida nos primeiros anos de internet no Brasil.

Só existia o site da Uol em português. Eu botava o discador para funcionar, ia pegar um refrigerante e só quando eu voltava que a internet estava conectada. Eu era uma sortuda por usar um número de Niterói para conectar a internet, os números da capital viviam ocupados. A página inicial era o Uol, bem diferente da atual e com uma fraca atualização. Lia algumas coisas, achava tudo chato e aí entrava em alguns sites americanos. Entrava bastante na da Disney mas, como tinha muitas fotos, demorava uma eternidade para carregar.

Adorava gifs animados que achava em sites pessoais do geocities. Para achar gifs novos eu entrava no Yahoo e digitava para procurar gif. Sabia que em inglês era igual a português. Entrava em muitos sites que não entendia nada que estava escrito para achar as figuras dançantes. Deve ter sido em uma dessas buscas que vi pela primeira vez um pornô, só lembro que tinha muita propaganda nas páginas e elas deixavam o carregamento da página ainda mais lento. Odiava o gif de plaquinha de construção que estava em todos os sites. Também achava ridículo o dragão do Netscape.

O bate papo da Uol era a coisa mais famosa e meus amigos do colégio (os poucos que conheciam internet) só conheciam esse bate papo. Entrava algumas vezes e tentava marcar com as pessoas que eu conhecia em alguma sala vazia, lá depois da sala 40. Não dava sempre certo.

Eu não sabia usar email direito. Tínhamos um email da família pois o provedor creioq ue só ofereecia um único endereço. Eu nem sabia usar email então não me importava muito com isso. Nem tinha nem vontade de enviar email até eu entender no site da Sailor Moon que eu podia pedir umas imagens das sailors e recebê-las no email.

Era um perrengue. Eu não tinha nem site para entrar, eu nem sabia o que era interessante fazer na internet. As imagens estavam sempre quebradas então nem bonito aquilo era. A única coisa que me deixava fascinada era saber que podia ler o que alguém escreveu num lugar muito longe.

Hoje em dia a internet ainda me surpreende. Não podia imaginar algo como o Chatroulette, por exemplo(apesar de ser um site especificamente para se exibir na webcam mas... que site na net não serve para se exibir?). Faço previsões meio malucas para daqui a dez anos como "o desktop vai ser minoria" mas é tudo inesperado. Eu só espero que o orkut acabe, só isso.




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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Caminho sem volta

Ficar viciado algo na internet é muito fácil. Um site, um jogo... Está tudo tão acessível.
Por isso fiz uma lista com as coisas que podem viciar rapidamente e que ameaçam sua vida social logo depois do primeiro clic


1- Mafia Wars e Farmville
Esses jogos (e todos os outros genéricos do facebook) encantam no primeiro contato. Um eterno morador de apartamento descobre que agora pode criar coelhos, patos e elefantes. Um nerd descobre que pode vender drogas, armas e aliciar prostitutas. Pois é. Rapidamente o novo usuário do facebook está viciado e, para alimentar seu vício, enche a wall dos seus amigos de pedidos bizarros e animais para adoção.


2- 4chan
Um imageboard originalmente de fãs de anime é algo prejudicial. Agora, se esse site tem uma área /b/ onde pode ser postada qualquer imagem sem critério é OBVIAMENTE prejudicial. Os primeiros acessos ao 4chan , para satisfazer a curiosidade, já criam a necessidade da pessoa das F5 infinito na página (o negócio é atualizado tão frequentemente que dá para só atualizar a página que todas as fotos já mudaram). E como o 4chan não é um site que dá para abrir em local público, a pessoa fica louca para chegar em casa e passar as madrugadas vendo imagens randômicas. O auge do vício é quando o usuário bota a fotos do pau (ou dos peitos, depende do que a pessoa pode oferecer) e pede para darem nota. Aí não tem volta.


3- Fuck my Life
Ler histórias dos outros é bom. Ler histórias de outras pessoas se ferrando é ótimo. Mas, ficar o dia TODO lendo histórias de pessoas que se fuderam no Fuck my Life (conhecido como FML) não é natural. O site fica ainda mais interessante quando você começa a caracterizar as histórias em "I agree, your life sucks" ou "you totally deserved it". Mexer com a vida dos outros é sempre atraente.


4- Lookbook.nu
Provavelmente o problema é algo estritamente feminino mas o Lookbook.nu é fonte de inspiração para muita menina que quer adotar um visual diferente na roupa. São páginas e páginas, muitas fotos, até encontrar um visual para copiar. Obviamente 96% dos looks são impossíveis na vida real por não serem aceitos socialmente. Ninguém se importa, é legal ficar passando as fotos.


5- Qualquer comic diário
Depende do estilo para saber qual comic é mais viciantes. Alguns gostam do humor negro de Cyadine and Hapiness . Nerds preferem as complicadas tirinhas xkcd (que tem inclusive um site atualizado diariamente com as explicações para as tirinhas, um achado para quem quer fingir ser nerd, se é que existem pessoas que querem fingir serem nerds). Existe também Penny Arcade que também é nerd, mas é voltada para os games (ou não, estou chutando isso pelo pouco que li). Enfim, depois de um tempo algumas dessas páginas vira sua página inicial, o que é meio pertubado.


6- Orkut, óbvio
Uma checada no orkut é assim:
Mmm... nãoseiquem me deixou um recado. Vou responder o recado de nãoseiquem. Quem é essa pessoa na página de recados dizendo que saiu com ele ontem? Pelo perfil, é uma piranha. Ele respondeu a piranha! Mas parece que ela tem namorado, deixa eu ver se acho. Pelos depoimentos, ela deve namorar esse cara aqui. Olha, ele também faz Engenharia na UFRJ.... Uma fofoca ETERNA! Saia dessa.

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